sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

ROTEIRO HISTÓRICO-LITERÁRIO DE FORTALEZA: MEMÓRIAS AFETIVAS


Como parte da Formação Continuada do projeto Agentes de Leitura do Ceará, da Secretaria da Cultura do Ceará, no dia 30 de novembro, os Agentes de Leitura de Fortaleza, acompanhados do escritor Raymundo Netto, percorreram alguns dos pontos do centro de Fortaleza, equipamentos culturais (Casa de Juvenal Galeno, Academia Cearense de Letras e Museu do Ceará) e praças (do Ferreira, General Tibúrcio e dos Mártires/Passeio Público) relacionando-os à história literária cearense, principais movimentos literários (Outeiros, Padaria Espiritual, Clã etc.), acontecimentos (Cajueiro da mentira, assassinato de Mário da Silveira, fundação da Padaria Espiritual etc.), personagens (Antônio Sales, boticário Ferreira, Rachel de Queiroz, Governador Sampaio, Adolfo Caminha, etc), além de leitura de alguns poemas.
O percurso fez uma leitura da cidade, traçando a sua memória literária ao descrever, em seus espaços públicos, alguns de seus mais marcantes acontecimentos.


 PRAÇA DOS LEÕES


A, vulgarmente conhecida, praça dos Leões chama-se, oficialmente, General Tibúrcio, em  homenagem ao herói da Guerra do Paraguai que ganhou também a primeira estátua erigida na cidade, datada de 1880. Alguns de seus bancos e luminárias foram trazidos diretamente da França, inclusive as estátuas de leões, motivo pelo qual a praça recebeu a denominação de Praça dos Leões. Desde os anos 50, os restos mortais do General Tibúrcio descansam sob no panteão sob a estátua.

Em homenagem à cearense Rachel de Queiroz, uma estátua de bronze que a retrata sentada em um dos bancos da praça, foi assim colocada. A escritora nasceu em Fortaleza, em 1910, e, já aos 20 anos, concluíra seu primeiro romance “O Quinze”, publicado em 1930. Foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras, em 1977.                         

Nesta mesma praça fica localizada a igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída pelos escravos e para eles, mas que acabou por abrigar, inclusive a Matriz, durante as reformas e a construção da Catedral Metropolitana. Até 1860, não existia cemitério na cidade, sendo de costume, enterrar os mortos ao redor da igreja.

O major João Facundo de Castro Menezes, então Vice-Presidente da Província, foi assassinado no dia 8 de dezembro de 1841. Seu corpo foi enterrado na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, pois era seu desejo “contemplar” seu local de trabalho, que era o Palácio da Luz.                  
                                                                                                           
O Palácio da Luz fica também localizado na praça dos Leões, onde residia o Capitão-Mor Antônio de Castro Viana, o qual contraiu dívidas, perdendo sua casa para a prefeitura. Também foi sede do Governo da Província do Ceará, residência do Governador e o local onde se realizavam, no início do século XIX, os saraus literários conhecidos por “Oiteiros”, marco inaugural da literatura cearense.

O Palácio da Luz é hoje a sede da Academia Cearense de Letras, a primeira Academia de Letras do Brasil, fundada em 1894.

VOCÊ SABIA?
Até a metade do século XIX, não existia cemitério em Fortaleza e os corpos eram enterrados aos redores das igrejas, e assim também acontecia na Igreja do Rosário, que às vezes exalava um odor inquietante. Quando a primeira dama fez uma visita à igreja e sentiu tal odor, falou ao Governador que decidiu, a partir de então, construir o primeiro cemitério de Fortaleza, o São Casimiro, localizado, à época, onde funciona hoje a estação central de trem, próximo ao antigo Campo D’Amélia.

Passeio Público / Praça dos Mártires


Umas das mais belas e antigas praças de Fortaleza. Construída em 1880, em estilo neoclássico, passou a se chamar, mais tarde, praça dos Mártires, em homenagem aos líderes da Confederação do Equador, entre os quais, Pessoa Anta, Pe. Mororó e Silva Carapinima. A praça abriga dez das quarenta e cinco árvores tombadas pela prefeitura e estão identificadas com placas que informam seus nomes popular e científico, bem como sua origem, entres elas um baobá com cerca de 100 anos de existência. Quando da reforma da praça do Ferreira, algumas de suas estátuas fora realocadas no Passeio Público, conferindo ao lugar uma atmosfera clássica e elegante. O local era muito frequentado pela sociedade da época, que se dividia nos três espaços existentes, conforme a classe social a que pertencia. A entrada principal era a Avenida Caio Prado, a frequentada pelos ricos; a Avenida, ou alameda, Carapinima era frequentada pela classe média e pela banda da Polícia Militar que tocava as retretas e a Avenida Padre Mororó, a chamada “rampa”, pela classe mais baixa da população, dentre eles os operários e as prostitutas.


Valdizia Alves e Joselane Maciel.
Agentes de Leitura Siqueira e Bom Jardim.

Você sabia?



O romance A Normalista, de Adolfo Caminha, apresenta cenas no Passeio Público, onde os protagonistas Zuza e Maria do Carmo se encontravam.



Formação Continuada

Os Agentes de Leitura de Fortaleza participam do curso de Formação Continuada, com duração de 80h, na Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel, de 25 de novembro a 03 de dezembro de 2010. Foram ofertados os cursos "Literatura, Leitura e Letramento: um caminho para a formação cidadã", 40h/a e "Prática de Letramento: Caminhos para a Cidadania",  40h/a.  Julianne Larens, Karine David, Marcelino Câmara, Michelle Girão, Tâmara Bezerra e Raymundo Netto, profissionais da leitura, contribuíram  para que o curso obtivesse o resultado esperado.

OFICINA DE MEDIAÇÃO DE LEITURA


— AGENTES DE LEITURA DE FORTALEZA —

Trabalho fruto do aprendizado adquirido no Curso de Formação Continuada do Projeto Agentes de Leitura do Ceará, da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará.

Local: Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel
Período: de 25 de novembro a 3 de dezembro de 2010
Horário: de 8h às 17h.
Acompanhamento: Julianne Larens e Michelle Girão
Mediadores convidados: Marcelino Câmara e Tamara Bezerra.

·         Objetivos do Curso 
Compartilhar com os Agentes de Leitura do Ceará métodos e dicas para o desenvolvimento satisfatório de suas atividades.

  • Qual a função de um Mediador de Leitura?
O mediador de leitura procura despertar a sensibilidade do outro por meio de histórias narradas, reais ou imaginárias, muitas vezes descritas nos livros que lê, nos filmes a que assiste, na música que ouve e na realidade em que vive, despertando, em cada indivíduo, um olhar mais amplo sobre as mais diversas formas de ler o mundo no qual estamos inseridos, respeitando sempre a subjetividade e as preferências de cada um.

  • Da formação
  1.  A desinibição;
  2. O ato de narrar;
  3. O estilo;
  4. As variações de narrativas;
  5. A colocação de voz;
  6. A ocupação do espaço;
  7. A expressão corporal na devida medida;
  8. A audição de histórias como fonte comparativa de aprendizado;
  9. Os recursos auxiliares;
  10. A integração com o grupo.

·         Da Metodologia
1. Escolha da história - deve ser feita de acordo com a faixa etária;
2. Estudar a história - pesquisar vários autores da mesma história, para fazer comparações;
3. Ensaiar - ler, conhecer e se envolver com a narração de forma desinibida, demonstrando  total intimidade com o texto;   
4. Escolha dos instrumentos (acessórios) - verificar o ambiente para a contação.

·         Do estudo da história
1. Forma de apresentação - simples narrativa com pausas estratégicas para envolver o público, usando a voz, o livro, gravuras, quadro, desenhos, música.

·         Da narração da história
1.  Conversa antes da história, para evitar eventuais interrupções;
2. O contador pode utilizar de outros recursos além da voz.


DICAS PARA MEDIAÇÃO:

·         Impostar a voz provocando mudança de timbre, para identificar os personagens diferentes da história.
·         Posicionar-se estrategicamente de modo que o livro possa ser visualizado pela grande maioria do público sem dificuldade.
·         Evitar muita expressão corporal — o chamado “palco quente” —, para não desviar a atenção do público.
·         Evitar utilizar muitos acessórios e roupas que possam desviar a atenção do público.
·         Adaptar a história e o modo de contá-la pela faixa etária.
·         Controlar a duração da narrativa, pois o tempo é um dos pontos principais para o êxito da contação; assim, as histórias escolhidas devem ser curtas.

ATENÇÃO! No caso de interrupções, é importante procurar envolver na história a criança que está alheia à contação.

 DICAS DE LIVROS:

·         Léo e Albertina – Chistine e Davinier
·         Dez Sacizinhos – Tatiana Belinky
·         O Montro Monstruoso da Caverna Cavernosa – Rosana Rios
·         Menina Bonita do Laço de Fita – Ana Maria Machado
·         O Poeta Aprendiz – Vinicius de Moraes
·         Feche os Olhos e Abra o Mundo – Fabiano dos Santos
·         Onze Minutos – Paulo Coelho
·         Na Margem do Rio Piedra eu Sentei e Chorei – Paulo Coelho

Bom trabalho, mediadores!